Famílias, gêneros e narrativas literárias: identidades e contextos nas obras de Rachel de Queiroz e José Lins do Rêgo
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Universidade Católica do Salvador
The issues involving the debate around gender and family, traditionaly addressed under
an extremely categorical bias, have always left gaps for multiple interpretations and
context correlations. To think about the values and rules which act at the expense of
subject's freedom, controlling bodies and ways of expressing subjectivity, can provide
not only a better understanding on the simbolical/ideological conflict between the
family and gender diversity, but, above all, generate new practical approach
propositions fos the conflicts which are inherent to those concepts. Breaking the
etnographic pragmatism that almost always conducts the surveys on family and gender
in the university, we propose the utilization of two classics of brazillian literature,
published in the firs half of the last century, as analysis instrument of the conflicts
which destabilize these notions. "O quinze", published by Raquel de Queiroz in 1930
and "Menino de engenho", published by José Lins do Rego in 1932, are works included
in a very meaningful period of brazillian history, a period of great social
transformations, a lot of it due to the beginning of the industrialization process and the
afirmation of democracy. Therefore, this dissertation work seeks to formulate an
analytical reflection about our socialization processes, understanding the institutional
atuation as a cohesion and coercion element in behavior, implying in the control of
personal subjectivities referencing the bureaucratic statements of the patrimonialism and
the patriarchy. We understand that ficcional literature offers the possibility to analyse
the gender conflicts and family notions, considering all the complexity in vogue in this
relation, under a perspective that not only differs from the etnographical survey, but
adds a series of intersections and mmovements beyond the technical rulings of the
academy. In a last sense, we desire to present, trough literary contribution, the
development of the historical conflicts that pervade the gender and family concepts in
the brazillian society, aiming to forge a new sociological research perspective, from the
referential provided by
As questões que envolvem o debate sobre gênero e família, tradicionalmente abordadas
sobre um viés extremamente categórico, sempre deixaram brechas para múltiplas
intepretações e correlações de contextos. Pensar nos valores e normas que atuam em
detrimento da liberdade do sujeito, controlando corpos e modos de expressão da
subjetividade, pode nos possibilitar não só uma melhor compreensão do embate
simbólico/ideológico entre a família e a diversidade de gênero, mas, sobretudo, gerar
novas proposições de abordagem prática para os conflitos inerentes a esses conceitos.
Rompendo o pragmatismo etnográfico que quase sempre conduz as pesquisas sobre
família e gênero na universidade, propomos a utilização de dois grandes clássicos da
literatura brasileira, publicados na primeira metade do século passado, como
instrumentos de análise dos conflitos que desestabilizam essas noções. “O quinze”,
publicado por Rachel de Queiroz em 1930 e “Menino de engenho”, publicado por José
Lins do Rego em 1932, são obras inscritas em um período muito significativo da
história brasileira, período esse de grandes transformações sociais, muito em
decorrência do início do processo de industrialização e de afirmação da democracia.
Dessa forma, esse trabalho dissertativo, busca formular uma reflexão analítica sobre os
nossos processos de socialização, compreendendo a atuação institucional como
elemento de coesão e coerção do comportamento, implicando no controle das
subjetividades individuais e referendando os estamentos burocráticos do
patrimonialismo e do patriarcado. Entendemos que a literatura ficcional oferece a
possibilidade de analisar os conflitos de gênero e as noções de família, considerando
toda complexidade em voga nessa relação, sobre uma perspectiva que não só difere da
pesquisa etnográfica, mas que acrescenta uma série de intersecções e movimentos para
além das normatizações técnicas da academia. Em sentido último, desejamos apresentar,
através do aporte literário, o desenvolvimento dos conflitos históricos que perpassam os
conceitos de gênero e família na sociedade brasileira, visando forjar uma nova
perspectiva de pesquisa sociológica, a partir do referencial disposto pela literatura de
ficção.
