Agressividade de detentos e a prática de esportes: relações e contribuições ao processo de ressocialização
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UCSal, Universidade Católica do Salvador
O presente estudo teve como objetivo analisar por meio de uma revisão integrativa da literatura, as evidências científicas acerca da relação entre a prática de esportes no contexto prisional, a redução da agressividade entre indivíduos privados de liberdade e suas contribuições para os processos de ressocialização. A investigação justifica-se pelo contexto de desafios enfrentados pelo sistema prisional brasileiro, marcado por superlotação, precariedade estrutural e escassez de políticas públicas voltadas à reintegração social, fatores que dificultam o funcionamento das instituições e favorecem a ocorrência de conflitos e comportamentos agressivos entre os detentos. Para alcançar os objetivos propostos, realizou-se uma revisão integrativa da literatura, reunindo, analisando e sintetizando resultados de diferentes estudos nacionais e internacionais. As buscas foram efetuadas em bases de dados reconhecidas, como SciELO, PubMed, Google Scholar e Web of Science, utilizando descritores relacionados a esporte, atividade física, sistema prisional, agressividade e ressocialização. Após a identificação inicial de 312 registros, a aplicação de critérios de inclusão e exclusão resultou na seleção de 40 artigos para análise, que foram sistematizados em uma matriz de síntese, permitindo a comparação de autores, metodologias, populações estudadas, modalidades esportivas, variáveis analisadas e principais achados. Os resultados evidenciam que a participação em programas esportivos no ambiente prisional está associada à redução de agressividade física e verbal, hostilidade e impulsividade, além de favorecer a melhoria da saúde física e mental dos detentos. A prática esportiva também contribui para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais relevantes, como cooperação, disciplina, respeito às regras, responsabilidade coletiva e trabalho em equipe, promovendo a melhoria das relações interpessoais e fortalecendo a convivência institucional. Esportes coletivos, como futebol e futsal, são predominantes devido à facilidade de implementação, baixo custo e identificação cultural, estimulando a interação social e a aprendizagem de valores sociais. Além disso, a inserção dessas atividades em programas estruturados, com acompanhamento de profissionais qualificados, confere caráter pedagógico e socioeducativo ao esporte, ampliando seu potencial de ressocialização. Apesar dos benefícios identificados, a literatura aponta desafios para a implementação desses programas, incluindo falta de infraestrutura, escassez de profissionais especializados e limitações institucionais, bem como a heterogeneidade metodológica dos estudos, o que dificulta a generalização dos resultados. Conclui-se que a prática de atividades esportivas no sistema prisional constitui uma ferramenta relevante de intervenção social, capaz de reduzir a agressividade, melhorar as relações interpessoais e desenvolver habilidades socioemocionais entre indivíduos privados de liberdade. Quando integradas a políticas públicas de educação, trabalho e inclusão social, essas atividades têm potencial de fortalecer os processos de reintegração, promover ambientes institucionais mais humanizados e gerar oportunidades de desenvolvimento pessoal e inclusão social para os detentos.
