Educação como estratégia de desenvolvimento local
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Universidade Católica do Salvador
A educação no Brasil nunca foi prioridade para o poder público. As escolas públicas
municipais também fazem parte deste descaso, especialmente no semi-árido da Bahia, funcionando nas pequenas comunidades rurais, e são altamente precárias, sem apoio, não oferecendo às crianças uma educação eficaz e de qualidade.
A partir da experiência do Projeto Conhecer, Analisar e Transformar a Realidade Rural (CAT), desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Movimento de Organização Comunitária (MOC) e nove Prefeituras Municipais do semi-árido baiano, busca-se o desenvolvimento local da comunidade a ser construído partindo-se da educação, da participação e do envolvimento de todos. Adequam-se os conteúdos curriculares trabalhados na escola à realidade do aluno, enquanto toda a família e a comunidade participam da construção do
conhecimento, intervindo nessa realidade, com a convicção que “Ninguém pode estar no mundo, com o mundo e com os outros de forma neutra”. (FREIRE, 1997). A partir daí ocorre um enfrentamento maior, por parte dos alunos, da vida real, como cidadãos, tendo como apoio a própria LDB no seu artigo 28, conforme se lê abaixo:
a) conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos na zona rural; b) organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; c) adequação à natureza do trabalho na zona rural. E, uma vez aplicados, esses princípios são uma porta efetiva para que a realidade local e
regional penetre na escola, possibilitando a aplicação quase integral do artigo 28 da LDB. Os principais objetivos estão em: a) melhorar a qualidade do ensino rural, especificamente no semi-árido, através da qualificação do professor e para que este use uma metodologia que respeite e valorize o homem do campo, sua cultura e seu trabalho; b) aprofundar a discussão teórico-metodológica sobre a qualidade do ensino rural, na perspectiva de maior relação entre escola, comunidade e desenvolvimento agrícola sustentável para o semi-árido; c) contribuir para a formulação e implementação de políticas públicas educacionais para as escolas rurais, políticas estas que considerem a realidade rural, o homem, os seus habitantes e o meio ambiente. (BAPTISTA, 1999).
