Políticas de limpeza urbana e a produção-organização do espaço urbano: da Salvador do século XIX a Salvador contemporânea
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Universidade Católica do Salvador
A evolução e a organização do espaço da cidade estão no âmago da Geografia. É na dinâmica urbana que nos incorporamos a ela, dando sentidos de apropriação. Enfocando as relações entre a cidade, os citadinos e a produção de lixo, destacamos as políticas de limpeza urbana promovidas em Salvador desde o século XIX até à contemporaneidade e seus rebatimentos na produção-organização desse espaço ao longo do tempo. Resgatar determinantes históricos, para analisar o contemporâneo, foi um caminho trilhado na busca de sistematizar eventos, dados e informações através de uma proposta de periodização que estabeleceu quatro períodos: das primeiras impressões às primeiras idealizações urbanas, expandindo a cidade sob o lixo, um destino para o lixo, um destino para pessoas e outros planos para o lixo de Salvador. Essa periodização revelou como o lixo vem sendo tratado de forma diferenciada e como vem interferindo nas estratégias urbanas ao longo do tempo, dado que a higiene urbana é assunto discutido em distintas ocasiões pelos agentes controladores do espaço, a partir de seus valores culturais e sociais. Expressou que, no planejamento, as políticas sobre o lixo dialogaram com uma seletividade sócio-espacial que não contemplaram os urbanos em sua totalidade, pois as intenções/atuações do poder público e de outros agentes nos diferentes planos/ações de limpeza, indicaram vínculos diretos e indiretos a processos como a comercialização do lixo-mercadoria e especulação imobiliária. Assim, o lixo, no contexto das transformações urbanas de Salvador, é tratado como negatividade ou positividade urbana na lógica dos setores que decidem sobre a cidade.
