O ciclo do cárcere: uma análise jurídica e criminológica sobre os fatores de reincidência e a falência da função ressocializadora no Brasil

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UCSal - Universidade Católica do Salvador
O presente artigo analisa a crise do sistema penitenciário brasileiro e o persistente fracasso das políticas de ressocialização sob o prisma normativo, jurisprudencial e criminológico. Utilizando o método descritivo-analítico e fundamentando-se nas teorias das instituições totais, da disciplina e do etiquetamento social, investiga-se como a execução penal fomenta o chamado "Ciclo do Cárcere". A pesquisa demonstra que o ambiente prisional promove a mortificação da identidade do indivíduo, tornando-o inapto para o retorno à vida em liberdade. Essa desestruturação subjetiva é agravada pelo "Estado de Coisas Inconstitucional" reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, evidenciado no cenário baiano pela superlotação crônica em Salvador e pelo isolamento severo no Conjunto Penal de Serrinha. Diante do colapso logístico expresso pelo massivo déficit de vagas em colônias agrícolas e industriais, ocorre a desnaturação do regime semiaberto. Embora respostas jurisdicionais como a Súmula Vinculante 56 busquem mitigar os excessos da execução, elas atuam apenas nos sintomas estruturais. Ao sair, o egresso depara-se com o estigma da rotulação social e com a ausência de assistência pós-cárcere efetiva. Esse vácuo estatal acaba preenchido por organizações criminosas, que passam a atuar como redes alternativas de acolhimento e subsistência, transformando a reincidência em uma estratégia pragmática de sobrevivência. Conclui-se que a ressocialização permanece um mito jurídico enquanto a neutralização punitiva e a lógica da exclusão balizarem o sistema de segurança pública.

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