Acidentes por aranha-marrom: tipos de lesão e cuidados de enfermagem
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Universidade Catôlica do Salvador
A ocorrência de acidentes com aranhas do gênero Loxosceles vem apresentando grandes
proporções, principalmente na Região Sul-Sudeste. O Paraná destaca-se como Estado endêmico, registrando
um percentual de 71,4% dos casos no período de 2001 a 2006 no Brasil. As principais espécimes, a L.
intermédia, L. laeta e L. gaucho, protagonizam picadas em coxa (20,1%), tronco (15,7%), braço (12%) e
perna (18,4%), sendo as áreas corporais mais atingidas entre as vítimas. O veneno loxoscélico compõe-se de
proteínas com atividade tóxica ou enzimática, no estabelecimento das lesões. O diagnóstico do loxoscelismo é
fundamentalmente clínico e epidemiológico, mas o desconhecimento dos profissionais de saúde favorece a
demora no diagnóstico. Este trabalho, portanto, almeja descrever o acidente loxoscélico com o propósito de
diferenciar os tipos de lesão causados pelo veneno da aranha-marrom, sugerindo, ainda, cuidados de
Enfermagem. A metodologia usada foi uma revisão crítica da literatura com base em artigos/resumos
publicados em português a partir 1998 sobre o loxoscelismo, nas bases de dados do LILACS, Google
acadêmico, SINITOX, e outras publicações de meios físicos disponíveis. Discussão e Resultados: Como
conseqüência da ação do veneno, há surgimento de dois tipos de lesão, a cutânea e a cutâneo-visceral. Na
forma cutânea, o veneno possui uma atividade dermonecrótica. A lesão tem a formação da placa marmórea e
uma bolha hemorrágica de conteúdo seroso circundada por um halo vermelho, evoluindo para uma lesão
necrótica de cicatrização difícil. Na versão cutâneo-visceral, o veneno atua de forma hemolítica na rede
intravascular, resultando em anemia, icterícia, hemoglobinúria, além dos locais. Este tipo de lesão apresenta
a insuficiência renal como principal complicação sistêmica, que juntamente com a coagulação intravascular
disseminada, são as principais causas de óbitos. O tratamento consiste no uso da soroterapia, conforme sua
classificação em leve, moderado ou grave. O soro é heterólogo, sendo indicado conforme a gravidade e
avaliação do risco/benefício. Objetivando neutralizar o veneno circulante. Após administração do soro, o
paciente deve ser avaliado a cada 12 horas, por 36 horas. Pode-se ainda associar ao tratamento o uso da
Dapsona para minimizar a resposta inflamatória. Como medida de suporte, recomenda-se drenagem postural,
administração de analgésicos, antiinflamatórios hormonais tópicos, aplicação de compressas frias para alívio
da dor e limpeza periódica da ferida, por no mínimo quatro vezes com sabão neutro para uma cicatrização
mais rápida. Em caso de ulceração, usam-se compressas de permanganato de potássio, mas, em caso de
ulceração após descolamento do tecido necrosado, deve-se lavar a ferida com soro fisiológico, realizando
curativo oclusivo para proteger de contaminação externa até o fechamento. Conclusão: O acidente
loxoscélico possui grande relevância para a saúde pública. Entretanto, o subdiagnóstico constitue-se um
entrave para melhor prognóstico dos casos, sendo necessário melhor capacitar os profissionais de saúde,
maximizar a literatura dos acidentes loxoscélicos e ampliar a participação da Enfermagem nos cuidados das
lesões dermonecróticas, devido a sua contribuição freqüente no tratamento de feridas.
