Fatores associados à distribuição de Aedes Albopictus (Scuse,1984): uma revisão sistemática

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Católica do Salvador
Considerando o potencial do Aedes albopictus como vetor do vírus da Dengue, uma das maiores arboviroses do mundo, com cerca de 4 bilhões de pessoas vivendo em áreas de risco, é preciso compreender as características que podem favorecer a sobrevivência da espécie e sua distribuição. Esta pesquisa tem por objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura para investigar os fatores associados à distribuição do A. albopictus e entender quais destes fatores são determinantes e quais apenas estão correlacionados à distribuição. Foi realizada uma revisão sistemática da literatura sobre a distribuição da espécie nas bases de dado Scielo e PUBMED, publicadas no período de 2008 a 2018, a partir dos descritores “Aedes albopictus” AND “dispers*”, “Aedes albopictus and distrib*” e “Aedes albopictus” AND “model*”. Foram levantados 430 artigos, dos quais somente oito foram selecionados após a exclusão dos artigos que não se encaixassem nos critérios. Em sete desses artigos a temperatura foi um fator analisado e em seis ela teve um efeito positivo, aumentando a abundância de indivíduos conforme ela aumentava e em apenas um artigo a diminuição da temperatura teve um efeito positivo. Este tipo de resultado era esperado, visto que este fator está diretamente ligado à sobrevivência da espécie, podendo limitá-la em situações de extremos menores que 10oC e maiores que 36oC. Entre 21oC e 25oC observa-se o ótimo para o mosquito e, quanto maior a temperatura, mais favorável ela será. Quanto à pluviosidade seu aumento teve um efeito positivo em três artigos, negativo em dois e em um artigo foi indiferente. A diminuição da pluviosidade não necessariamente é limitante à distribuição da espécie, que só se observa quando a precipitação média anual é <500mm. Em outras palavras, a pluviosidade pode fornecer novos locais de deposição de ovos e a manutenção dos níveis de água destes, porém não é um fator determinante. Nos dois artigos que avaliaram o efeito da umidade relativa o aumento da mesma foi favorável ao mosquito, pois está associado ao controle da perda de fluidos corporais, mas é um fator apenas correlacionado. Por fim para uso de terras apenas três artigos consideraram o fator e em um deles não houve diferença na abundancia de ovos e larvas ao se comparar a área urbana com a rural enquanto que no outro foi maior na área urbana. No terceiro artigo quando apenas uma área rural foi considerada o mosquito foi mais abundante em meios de agricultura, seguidos de áreas com residências e por fim florestas. Assim sendo estes fatores não são determinantes. Conclui-se que, apesar de os fatores temperatura e pluviosidade serem considerados os mais importantes, em se tratando de Brasil em que as condições dos mesmos é favorável à espécie em quase todos os ecossistemas, é necessário levar em conta fatores como a umidade relativa e cobertura/uso de terra para uma análise mais precisa.

Descrição

Citação