Em busca da perfeição: um estudo sobre a educação feminina na cidade do Salvador na primeira república
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Universidade Católica do Salvador
Este estudo buscou analisar o significado das práticas pedagógicas femininas durante a
Primeira República (1889-1930) na capital baiana. Para isso, procurou-se abordar alguns aspectos
históricos para a implantação na cidade do Salvador de um sistema educacional direcionado a parcela
feminina e ministrada pela Congregação das Religiosas do Santíssimo Sacramento (S.S. Sacramentinas)
de origem francesa. Em um contexto, de transformações ideológicas e sociais. O ideário republicano
postulava que a escola seria capaz de regenerar o homem, cabendo principalmente a mulher educada
essa função, enquanto formadora de um harmônico lar. Nesse sentido este estudo vem contribuir para
percebermos em meio a um discurso “civilizador”, os vários papéis sociais destinados as mulheres no
período. Bem como, a tentativa de transformá-la em modelo “perfeito” e “completo”, que a sociedade
passara a exigir. Buscando rever este modelo de mulher, analisaremos o Colégio do Santíssimo
Sacramento, localizado no bairro soteropolitano do Garcia, inicialmente ligado ao Recolhimento de São
Raimundo na península de Itapagipe e sob orientação das religiosas Sacramentinas. Está pesquisa filiase
a uma perspectiva de análise historiográfica que privilegia novos campos de abordagens como da
História das Mentalidades e Cultural, ou seja, para além daqueles definidos pela historiografia
tradicional de influência positivista. Percebendo, com isso, que é nas vozes dos sujeitos históricos e no
espaço das relações cotidianas, que a história encontra os meios para sua transformação, sendo
fundamental o suporte teórico da Nova Escola Francesa, contribuindo para a inclusão de novos objetos
como a história das mulheres. A História Social também permitirá percebermos que o universo feminino
é muito diferente do masculino, não simplesmente pelas questões biológicas, mas, pelas experiências
históricas imbuídas de valores culturais. Ao privilegiarmos as relações de gênero, percebemos a
normatização feminina através da educação católica, que almeja a formação feminina semelhante ao
exemplo mariano, ou seja, a mulher dócil e passiva, portadora de delicadeza e ternura.
