Trajetórias das juventudes em tempos sombrios: um olhar para a educação e o trabalho das juventudes do Brasil
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UCSal, Universidade Católica do Salvador
Tendo em vista as trajetórias de vida das juventudes brasileiras nos últimos anos, a presente tese busca entender os percursos de vários jovens entre 1998 e 2021 acompanhando as políticas ampliadas de acesso ao ensino superior, as principais políticas educacionais, o próprio exame do ENEM e, em especial, as expectativas, realidades e frustrações frente ao processo de formação e acesso ao mercado de trabalho dos participantes. Esses jovens são estudantes da Bahia que moravam em cidades próximas a Ilhéus, Itabuna, Eunápolis, Salvador e Vitória da Conquista - onde a pesquisadora lecionava. Além disso, são provenientes de escolas públicas e privadas e atuam em
diversas profissões, algumas inclusive não ligadas às suas áreas de formação. A pesquisa de cunho quali/quantitativo acompanhou – através de questionário e de uma produção textual – a trajetória de 44 jovens brasileiros e o próprio percurso da autora dessa tese como jovem e professora nos últimos 23 anos (1998-2021). O estudo traça um panorama deste grupo social que entrou na universidade com a ideia de - através dos estudos – estar no caminho do sucesso profissional e apresenta insights de suas visões. O aparato teórico,
que sustenta essa pesquisa, compreende um estudo histórico sociológico com enfoque para trabalhos que se centram ao longo do século XX e apresenta desde as principais escolas de Sociologia da Juventude até a visão dos estudos sobre jovens na América Latina e no Brasil, para depois se debruçar nas questões temáticas da juventude como protagonismo juvenil, autonomia, inserção laboral, formação e mercado de trabalho. A pesquisa bibliográfica também foi utilizada para compor o capítulo em que se delineia a trajetória do ENEM alinhada à da autora da pesquisa dedicado a entender as mudanças
pelas quais as políticas educacionais do Brasil passaram, aplicando a pesquisa-Participante aos moldes utilizados por Paulo Freire. Valendo-se desse modelo, e levando em consideração a relação da autora com o objeto da pesquisa buscou-se construir um panorama do ENEM e da sua trajetória como jovem e educadora fugindo da visão tradicional da pesquisa que exclui do campo educacional e sociológico o contexto social do objeto pesquisado, incorporando-o como mero dado condicionante. Nessa direção, intentou-se, através da via da profundidade e sensibilidade analítica, entender de que
forma os jovens de 15 a 29 anos pensam e vivem como geração. Os destaques da pesquisa, estão refletidos nos insights (perspectivas/visões) que estão ligados a um tema e se desdobram em pontos relevantes dentro do pensamento apresentado. O trabalho empírico é de ilustrar essas perspectivas através de depoimentos coletados em campo, com a intenção de trazer à tona o tom e a voz das juventudes. Para além, o trabalho empírico constitui-se de análises que servirão para montar um panorama das Juventudes que em
junção com o capítulo em que se constrói a trajetória da educação ajudarão na produção de interpretações, não somente sobre a maneira como os jovens brasileiros apresentam dúvidas, esperanças e receios nestes “tempos sombrios”, como também um olhar para a maneira com que o conjunto social tem influenciado na construção desse cenário em que esses sujeitos são, muitas vezes, marcados pela frustração, pela precariedade e pela falta de políticas protetivas.
