Ensino, aprendizagem e participação familiar: percepções docentes sobre a trajetória do estudante com deficiência no ensino superior

Esta dissertação aborda percepções docentes acerca da trajetória do estudante com deficiência no ensino superior. Pretendeu-se analisar a partir das narrativas, as percepções de professores universitários no que concerne a presença da pessoa com deficiência, a relação ensino-aprendizagem e a participação da família de estudantes com deficiência na sua trajetória acadêmica em uma Instituição de Ensino Superior (IES) pública, assim como: entender como o professor percebe a relação ensino-aprendizagem, a partir das práticas acadêmicas docentes, relacionadas às necessidades educacionais específicas do estudante com deficiência e investigar se e como a família participa da trajetória acadêmica do estudante com deficiência no ensino superior. Para embasar a interpretação das narrativas foi utilizada a Análise de Conteúdo de Laurence Bardin. A metodologia adotada foi qualitativa do tipo narrativa de vida. Participaram do estudo 09 (nove) professores universitários dos cursos de bacharelado em Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Medicina e Nutrição, de uma universidade pública estadual localizada na cidade de Salvador (Bahia), que tiveram alunos com deficiência. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados um formulário contendo questões que investigavam o perfil sociodemográfico seguida de uma entrevista narrativa. Os resultados evidenciam duas categorias denominadas de: Fios da formação docente e os nós do capacitismo no ensino superior onde aborda-se como os percursos formativos dos professores, suas compreensões sobre deficiência e suas experiências no contexto universitário se articulam às possibilidades e desafios da docência inclusiva e Tecelagens de sensibilidade: histórias de vida e redes sociais que expõe a intersecção entre a subjetividade docente e a prática de ensino, observando como o histórico familiar influencia a percepção da deficiência. Revela, ainda, a articulação entre o suporte familiar e a atuação de instâncias institucionais na promoção da acessibilidade acadêmica e que a inclusão no ensino superior por ser complexa e multifacetada, exige um olhar sistêmico. Ressalta-se que a presença de pessoas com deficiência no contexto universitário demanda reorganização de práticas educacionais e estruturais, bem como o comprometimento de toda a rede envolvida, convocando mudanças atitudinais e estratégias para efetivar a educação inclusiva.

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