Discurso estereotipado de exclusão do cidadão(ã) nordestino: uma análise histórico-discursiva sobre a reprodução do status quo regional no Brasil
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UCSal - Universidade Católica do Salvador
A presente pesquisa analisa o papel dos discursos estereotipados na produção e reprodução das desigualdades regionais no Brasil, com ênfase na construção histórica e simbólica da exclusão do cidadão nordestino. Parte-se da compreensão de que tais discursos não se limitam a manifestações individuais de preconceito, mas constituem práticas sociais que operam como instrumentos de manutenção do status quo, influenciando relações de poder, processos de reconhecimento e o exercício da cidadania. Adota-se uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e analítica, orientada pelo método dedutivo, com fundamento na Análise Crítica do Discurso, especialmente a partir das contribuições de Norman Fairclough, articuladas à
perspectiva foucaultiana. O percurso metodológico compreende pesquisa bibliográfica e análise documental, abrangendo fontes normativas, jurisprudenciais e midiáticas, selecionadas com base em critérios de relevância temática e institucional. A investigação evidencia que os estereótipos associados ao Nordeste (frequentemente relacionados à pobreza, à ignorância e à incapacidade) são historicamente construídos e continuamente reproduzidos por diferentes esferas sociais, incluindo a mídia, o senso comum e instituições estatais. Tais discursos atuam na naturalização
das desigualdades regionais e na legitimação de hierarquias simbólicas que impactam negativamente o reconhecimento social dos sujeitos nordestinos. No campo jurídico, verifica-se que, embora o ordenamento constitucional brasileiro preveja a proteção contra práticas discriminatórias, ainda existem limitações no enfrentamento das formas simbólicas de exclusão. Diante disso, a pesquisa aponta para a necessidade de articulação entre políticas redistributivas e políticas de reconhecimento, de modo a enfrentar não apenas as desigualdades materiais, mas também as dimensões discursivas que sustentam a exclusão. Conclui-se que a superação das desigualdades regionais no Brasil exige uma abordagem integrada, capaz de considerar o papel dos discursos na produção social da diferença, bem como a atuação do Estado na promoção de uma cidadania efetivamente plural, inclusiva e igualitária.
