Contra uma compreensão utilitarista da contextualização do conhecimento: uma interpretação histórico-crítica
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Universidade Católica do Salvador
Este estudo foi desenvolvido ao longo de minha atuação como professor de Didática do Departamento de Ciências Humanas do Campus IV da UNEB, nos anos de 2001 e 2002. Enquanto professor do curso de Licenciatura em Geografia desse Campus tive um alunado que se constituía em sua maior parte de pessoas que já atuavam no magistério, tanto nos 1º e 2º, como do 3º e 4º ciclos do ensino fundamental e até no ensino médio. Paralela a esta experiência de ensino universitário, que começara em 1988, interrompida neste mesmo ano e reiniciada em 1992, estive durante alguns anos atuando nos mais diversos níveis de ensino, chegando a lecionar concomitantemente nos níveis de ensino fundamental, médio e universitário. Também nesta experiência identificava o problema com o qual me ocupo neste texto, uma compreensão utilitarista, mais propriamente em senso comum, do significado e do sentido da contextualização do conhecimento. O interessante nesta problemática é que educadores com concepções pedagógicas aparentemente diferentes e até divergentes, pareciam defender a mesma coisa da mesma forma. Não só defensores das Pedagogias da Essência, como também das Pedagogias da Existência2, e, aí incluída, supostos “adeptos” da perspectiva marxiana e gramsciana afirmavam a necessidade de se ensinar de acordo com a realidade do aluno. Em função disto, estabeleci o objetivo de sistematizar uma interpretação histórico-crítica da tese da contextualização do conhecimento. A razão desse trabalho investigativo deve-se, assim, à senso-comunização da tese que faz com que discursos construídos de perspectivas que divergem e até se opõem, pareçam situar-se em um lugar comum, como que falando a mesma linguagem por
línguas diferentes. Contra esta diluição da leitura histórico-crítica na linguagem comum, contra sua participação em um movimento teórico (idéias) – no qual todos pareçam falar a mesma língua e defender as mesmas idéias, fazendo-nos crer na possibilidade da existência de uma tese autoexplicativa e, assim, na destituição do ser consciente da condição de sujeito – decidi investigar os fundamentos, o sentido e argumentação dialética da tese da contextualização do conhecimento.
Costumeiramente questionava meus alunos e demais colegas sobre o entendimento que tinham do significado e do sentido de se estabelecer uma relação teórico-crítica dos saberes disciplinares com a realidade do aluno. Não raro, ou melhor, o mais freqüente era obter como resposta à afirmação de que a contextualização do conhecimento se faz mediante a adequação da matéria de ensino à realidade do aluno. Era freqüente ouvir essa reprodução enfática de que o professor deve ensinar de acordo com a realidade do aluno. Isto me causava um profundo incômodo, visto que tal tese soava-me muito mais como um axioma, uma bandeira de luta,
destituída dos fundamentos que permitissem delinear os seus significado e sentido. Melhor, a simples favorabilidade em relação a uma tese não auto-explicita nem seus fundamentos e nem tampouco – o que é essencial – desenvolve uma linha de raciocínio. Mister se faz, na defesa de uma idéia, buscar a verificação da pertinência de nosso entendimento inicial mediante a construção de um trabalho analítico que explicite, de forma clara, coesa e coerente, a linha de raciocínio que
desenvolvemos.
