Mãe pobre e desamparada – a nova medicina da mulher (1910-1927)

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Universidade Católica do Salvador
A Bahia do início do século XX foi marcada por grande processo de mudanças no qual as características herdadas, ao longo do século XIX, davam lugar a outros elementos que se processavam no cotidiano de Salvador, evidenciando um novo tempo. A saúde pública institucionalizada, especificamente a ginecologia e obstetrícia, ampliava seu campo de atuação, estendendo atendimento às mulheres pobres e desamparadas, através da Maternidade Climério de Oliveira, inaugurada em 1910. O gênero, classe e cor das mulheres atendidas na Maternidade Climério de Oliveira é a principal preocupação desta pesquisa, que visa discutir o grupo social a que pertenciam estas mulheres e como os médicos conseguiram, aos poucos, envolvê-las numa agenda higienista, promovendo um processo de ruptura nos valores da sociedade que muito valorizava as tradições da medicina popular resistindo à medicalização dos partos. Tratava-se de inserir estas mulheres na nova ordem, criando uma agenda higienista para os partos. Neste período, o atendimento obstétrico ginecológico era realizado de acordo com a origem social e racial das mulheres. Aquelas que podiam pagar e estavam cercadas de atenções familiares, eram atendidas em casa pelo médico da família ou por uma parteira de confiança ou em clínicas especializadas, que já eram notadas desde o final do século XIX. As mulheres pobres, mas que ainda tinham algum recurso também socorriam-se das parteiras em suas casas. Somente as mulheres que viviam na mais completa miséria e abandono procuravam a Maternidade, passando por cima de valores que estavam enraizados na sociedade, que não via com bons olhos as mulheres que pariam numa instituição pública.

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