Curriculum Plennis Ludens? um estudo crítico – compreensivo e propositivo sobre a política de ludicidade em currículos de educação infantil

Os últimos anos têm sido marcados, em nosso País, por uma vigorosa reflexão crítica sobre a construção de uma educação democrática, cujo currículo e cuja prática pedagógica levem em conta a heterogeneidade de cultura e classes sociais e promovam o desenvolvimento das crianças na plenitude das suas múltiplas expressões lúdicas. Ademais, numa sociedade prometêica, de densas experiências autoritárias e de um viés tecnicista histórico, como a expressão lúdica pode estar sendo vivenciada numa escola que se constitui nesses moldes, muitas nos moldes de uma mercoescola? Como seria um currículo que, ao vivenciar a ludicidade, se constituiria num “texto provisório” (ARROYO, 2000), constituído na dança das interações e errância das experiências cognitivas e do gozo compartilhado? Entendemos que a educação de crianças deverá pautar-se, sobretudo, em uma prática que permita-lhes a reelaboração do mundo e do conhecimento sobre o mundo – como a possibilidade de autonomia e curiosidade sobre as coisas que lhes vão sendo apresentadas pelo mundo adulto, os objetos, os animais, a história, a cultura, a cultura letrada, etc. Assim, a criatividade e o brinquedo são facetas de uma ação que devem tanto ser conhecidas cognitivamente como, e principalmente, conhecidas vivencialmente pelos professores de crianças. Na brincadeira, reelaboramos a experiência, por isso temos um comportamento criativo. Dessa forma, planejar o currículo em educação infantil implica ouvir os profissionais em suas concepções e decisões, problematizar a visão deles sobre a creche e a pré-escola, evitando perspectivas fragmentadas e contraditórias que vivenciaram ou com que tiveram contato. Implica reconhecer as famílias como interlocutoras, parceiras privilegiadas, e garantir a participação delas e da comunidade no processo, tarefas que exigem a superação de muitos obstáculos. A ludicidade é um fazer humano mais amplo, que se relaciona não apenas à presença das brincadeiras ou jogos, mas também a um sentimento, atitude do sujeito envolvido na ação, que se refere a um prazer de celebração em função do envolvimento genuíno com a atividade, a sensação de plenitude que acompanha as coisas significativas e verdadeiras (LUCKESI, 2000, p.52). Fazer presente o brincar e o jogo na educação infantil significa transportar para o campo do ensino – aprendizagem condições para maximizar a construção do conhecimento, introduzindo as propriedades do lúdico, do prazer, da capacidade de iniciação, ação ativa e motivadora. Ao nos fixarmos nas características do jogo e da brincadeira e em suas implicações para o trabalho curricular nas instituições escolares, devemos tomar em consideração duas peculiaridades, por serem, segundo Vygotsky (1998), os aspectos mais característicos da atividade lúdica: a primeira é a de que o jogo permite criar uma situação imaginária que facilita resolver ou explorar desejos irrealizáveis (dirigir um carro; ser professor, etc.) e a segunda característica das situações de jogo e de brincadeira é que nelas se incluem normas de comportamentos que as crianças precisam seguir para obter êxito. No exercício da atividade lúdica, o jogo nas instituições escolares, além de se incluir com mais ou menos detalhes no projeto docente, precisa ser objeto de reflexão, após ser posta em prática e desfrutada. Ou seja, uma vez finalizada, a atividade lúdica deve ser avaliada. “Os estudantes e os docentes devem tratar de analisar cada um dos jogos e brinquedos desenvolvidos, assim como suas condições de realização, peculiaridade e certamente, os conhecimentos, as atitudes e os valores que ajudam a promover” (CANEN 2001, p.106). É necessário, em síntese, considerar cuidadosamente as dimensões social, cultural, política, econômica e educativa dos jogos e brinquedos.

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