Diagnóstico do estado de conservação do parque metropolitano de Pituaçu – a partir da avaliação da heterogeneidade espacial.

A formação de clareiras é a forma mais visível de perturbação em florestas. Objetivou-se avaliar a importância das clareiras naturais na manutenção da heterogeneidade de habitat no Parque Metropolitano de Pituaçu e apresentar uma estimativa do seu estado de conservação, comparando-se comunidades de aracnídeos e variáveis ambientais entre clareiras naturais (CN) e florestas maduras (FM). Entre janeiro e dezembro (2004), coletou-se em 12 pontos, estimando-se as áreas das CN e mensurando-se 18 variáveis ambientais. Coletou-se aracnídeos por 60h de coleta manual diurna (7x3m) e 144 amostras de serrapilheira (50x50cm). Para comparar as variáveis ambientais e comunidades de aracnídeos entre CN e FM, utilizou-se o teste t e análise de agrupamento MRPP. Para verificar a influência das variáveis sobre a comunidade, utilizou-se Regressão Múltipla. Houve diferenças significativas (p<0,05) entre as duas formações vegetais na maioria das variáveis ambientais. Coletou-se 1681 aracnídeos, que não diferiram significativamente entre CN e FM, em relação à abundância (p=0,3608), composição de família e espécies (p=0,9923;p= 0,8539). Não se verificou influência significativa das variáveis sobre a abundância (p=0,4804), diversidade de famílias (p=0,5787) e riqueza em espécies (p=0,3280). Apesar das diferenças entre as variáveis ambientais, as comunidades de aracnídeos não diferiram, sugerindo uma alteração na fauna original do Parque. Inferimos que a importância das CN, como mecanismo de manutenção da diversidade, pode estar sendo negativamente influenciada pelos fatores históricos e ecológicos da área. Propomos que estruturalmente o Parque está em fase inicial de regeneração, no entanto, em relação à composição da biota não existem indícios de recuperação natural.

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