Desenvolvimento sustentável: discurso e prática
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Universidade Católica do Salvador
O termo “desenvolvimento sustentável” apresenta-se como uma novidade semântica, que
tem sido bastante aludida como promessa de satisfação das necessidades presentes “sem comprometer a
capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”, conforme consta no
relatório “Nosso Futuro Comum”, por diversos atores, visando interesses momentâneos. Parte da
dificuldade em compreender e traduzir o termo “desenvolvimento sustentável” vem da carga ideológica
da palavra “desenvolvimento”. Por seu turno, o termo sustentabilidade tem múltiplos sentidos. A
discussão carece também de determinação de como verificar os efeitos sociais de práticas empresariais
ditas sustentáveis, permanecendo sem resposta questões tais como: como é possível discutir e analisar
criticamente os resultados do “desenvolvimento sustentável” implantado em determinados espaços e
tempos? De que maneira se pode considerar que práticas “ditas” sustentáveis realmente o sejam,
objetivem-se, de maneira que seja possível o seu estudo sistemático? Seriam as técnicas produtivas que
deveriam ser enfocadas por serem tidas como sustentáveis? Seriam as afirmações, tomadas por
intermédio dos discursos, que devem ser consideradas como demonstração de tomada de posições
comprovadoras de que as práticas são sustentáveis? Este texto enfatiza a importância de observar o
poder simbólico do discurso do desenvolvimento sustentável, atualmente. Entendemos que seja um
discurso de poder, conforme Bourdieu (2001; p.143), construído socialmente e que produz efeitos sociais
determinados por circunstâncias muito específicas. Trata-se, mais especificamente, de uma interpretação
dos efeitos sociais provenientes do poder simbólico do discurso do “desenvolvimento sustentável”, no
Extremo Sul do Estado da Bahia, tendo como porta-voz a agroindústria de papel e celulose.
