Trilhando os caminhos do mar: a escola de aprendizes marinheiros da Bahia e o seu papel social (1910-1945)
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Universidade Católica do Salvador
Instituída em 1855, a Escola de Aprendizes-Marinheiros da Bahia foi uma das primeiras a
serem criadas pela Marinha de Guerra do Brasil, estando sempre sediada na capital, Salvador, até a sua
extinção,no ano de 1973. Dentro do contexto da segunda metade do século XIX e primeira do século XX,
foi uma das poucas instituições voltadas ao acolhimento, amparo e instrução do jovem de baixa renda no
estado, proporcionando aos futuros marujos educação básica, formação cívico-militar, mentalidade
marinheira, culto às tradições navais, noções de disciplina e formação técnica necessária para a vida de
bordo. Fazendo-se uma outra leitura, pode-se sugerir que servia, à época, como instituição modelo no
que diz respeito à aplicação de métodos correcionais e disciplinares aos menores oriundos das classes
mais baixas e em situação de risco, transformando-a em verdadeira válvula de escape responsável por
amenizar as inúmeras mazelas presentes na sociedade imperial e, posteriormente, na republicana. Ao
longo de sua existência, a Escola recebeu milhares de adolescentes, provenientes da capital e do interior
– especialmente do Recôncavo Baiano –, e que se entregavam – ou eram entregues por seus familiares e
outras instituições – ao duro sistema de internato naval. Este artigo pretende debruçar-se sobre aspectos
relacionados às condições de existência destes jovens baianos entre os anos de 1910 e 1945, a exemplo
das relações de poder, estratégias de sobrevivência e dos movimentos migratórios que levavam muitos
deles a trocar as incertezas de um universo por outro, tão incerto quanto, na grande capital.
