Ações afirmativas e a pós-graduação: mérito e superseleção de estudantes negros
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Universidade Católica do Salvador
O sistema educacional brasileiro é excludente e desigual, e um dos principais mecanismos que contribuem para reproduzir relações e lugares sociais onde o negro se encontra em desvantagem. A lógica de dominação e subalternização construída simbólica e historicamente com o sistema colonial moderno, tem contemporaneamente no sistema de ensino um aliado para a reprodução das relações de poder, subjugando étnica e racialmente civilizações. Esses fatos fizeram e fazem com que ser branco na sociedade brasileira se configure um patrimônio que possibilita privilégios, transmitido através das estratégias de branqueamento, perseguidas pelos não-brancos. A condição étnico-racial, portanto, se configura em condição de desvantagem para a população afrodescendente, servindo também de critério para definição das relações nos diversos campos: cultural, sócio-econômico, educacional, etc. O controle da mobilidade social e da verdade científica, através do sistema de ensino, que poderíamos
afirmar, a partir de Bourdieu, superseleciona estudantes negros, nega o acesso a um grande contingente de estudantes a carreiras profissionais valorizadas e à pesquisa acadêmica, dificultando a autonomia e a pluralidade cultural na produção e distribuição do conhecimento acadêmico. A pós-graduação constituise
portanto como um espaço de extrema seletividade para estudantes negros, se configurando contemporaneamente como instrumento objetivo de reprodução de desigualdades e subordinação simbólica no campo da educação superior, atualizando e sofisticando o sistema colonial de poder. O acesso à pós-graduação pode contribuir, então, para a emersão de debates e produção de conhecimentos
anteriormente subjulgados no campo da educação, impactando a formação de professores, o currículo e a trajetória de estudantes negros.
