Educação e vozes da tradição: ancestralidade, etnogênese e hierofania em construção no poransin tupinambá

O reconhecimento de povos re-surgidos traz à tona a necessidade de dialogar sobre identidade cultural e sua autopoiesis, povos que historicamente tiveram suas identidades negadas aparecem se autoafirmando como tais, reconstruindo sua etnogênese, gerando revisões ou re-leituras conceituais, paralelamente, tais grupos sociais demonstram significativa capacidade de mobilização e articulação, pois, se por volta do ano 2000, na região de Ilhéus, Bahia, os que eram conhecidos como descendentes de índios, ou como Caboclos de Olivença, pareciam viver anônimos e dispersos, hoje se afirmam Tupinambá. A condição de povos emergentes implica recomposição de sua ancestralidade, sua communitas, como identidade legitimadora e identidade de projeto num só tempo, e uma das manifestações identitárias aí solidificadas tem sido o Poransin, que se faz não só como referência religiosa, mas acima de tudo étnica, onde a ânima que se manifesta, é considerada sagrada por ser memória do grupo, estabelecendo uma fronteira que se constitui no próprio sagrado: étnica, religiosa e política. Investigamos como se constitui esta demarcação simbólica na vida cotidiana, aquilo que coletivamente representa a falta de algo e a expressão da vontade de superar esta falta, assim como as possibilidades que se põem nas suas organizações indígenas, através de suas falas, enquanto carência, tendência e latência que convivem se auto-afirmando enquanto etnia indígena diferenciada das demais populações locais, representada pelo Poransin. Nas aldeias, nos seus ambientes domésticos, o sagrado coletivo da memória se reverte através do culto familiar no louvor pentecostal, refletindo entrelinhas heterodoxas da construção de sua identidade.

Descrição

Citação