Ocorrência de parasitos (protozoários e helmintos) em duas lagoas urbanas do município de Salvador- Ba
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Universidade Católica do Salvador
As doenças veiculadas pela água constituem um problema de saúde pública. Os tratamentos de desinfecção atuais são eficazes para conter organismos bacterianos patogênicos, no entanto, estes não têm obtido o mesmo êxito quanto aos grupos de protozoários e helmintos. Esses organismos se relacionam diretamente ao saneamento básico, contaminando o ambiente e ocasionando as doenças parasitárias. No Brasil, existem poucos estudos e dados acerca do tema. A carência desses registros compromete a qualidade dos corpos hídricos e contribui para a contaminação da população, principalmente em espaços públicos. Assim, se faz necessário o monitoramento das lagoas urbanas, dado que, estas fornecem incontáveis serviços ecossistêmicos às populações. Este é um estudo preliminar que se propôs a analisar a ocorrência de parasitos de veiculação hídrica no sedimento de duas lagoas urbanas de Salvador - BA, com o intuito de gerar dados que auxiliem a gestão desses locais. As amostras, em duplicata, foram coletadas em cinco pontos dispersos na Lagoa do Abaeté, que faz parte de uma área de Proteção Ambiental e também no Dique do Tororó, que tem o entorno completamente urbanizado. As análises ocorreram a partir da técnica de Hoffman, Pons e Janer (1934) e do método de Ritchie (1948), que visam detectar formas evolutivas de organismos parasitos através da sedimentação e centrifugação. Os parâmetros físico-químicos foram verificados com kits comerciais e registrados na ficha de coleta, juntamente com informações adicionais do local. Para a verificação das amostras tratadas em cada método, foi realizada a busca ativa dos organismos em 20 lâminas com o auxílio de microscópio óptico, sendo identificadas posteriormente as formas parasitárias com auxílio de Atlas Parasitológicos. Os resultados demonstraram a presença de formas evolutivas de parasitos pertencentes aos gêneros Entamoeba, Ascaris, Ancylostoma e Trichuris no Dique do Tororó, indicando possível contaminação ambiental por dejetos. Esses gêneros estão associados a contaminações parasitárias de grande relevância para a saúde pública, visto que afetam milhares de indivíduos todos os anos no mundo, causando sintomas de graves proporções. Sendo assim, os resultados demonstram que as populações que realizam a pesca ou praticam atividades recreacionais mantendo contato com as águas desse local, podem ser contaminadas. Portanto, fica evidente a necessidade do monitoramento dessas áreas públicas, a orientação da população e o incentivo a estudos que auxiliem o levantamento de dados e ajudem na gestão desses ambientes.
