Repercussões psicossociais no contexto da des-territorialização: quando a FIOL encontra o Porto Sul - Ilhéus, Bahia

O contexto deste estudo é a expansão de projetos urbano-industriais em áreas rurais, frequentemente amparada pelos discursos oficiais de progresso e desenvolvimento, que provocam profundas transformações socioambientais e subjetivas nos modos de vida pautados na ruralidade. Dentre as múltiplas afetações provocadas estão os processos de des-territorialização e, especificamente, a dimensão psicossocial associada à perda do território. A tese aqui defendida é que a des-territorialização provocada pela implantação da Ferrovia de Integração Oeste Leste - FIOL e do Porto Sul, no município de Ilhéus, na Bahia, tem repercussões psicossociais que estão invisibilizadas dentro dos processos de licenciamento ambiental. Para isso, chega-se ao objetivo de pesquisa, que consiste em como desvelar, evidenciar, qualificar e categorizar esse sofrimento decorrente das experiências de perda territorial analisadas. O propósito foi lançar luz na dimensão psicossocial invisibilizada nos processos de licenciamento ambiental, formulando as diretrizes teórico-metodológicas de um Indicador Qualitativo que explica a tensão representada pelo sofrimento psicossocial em contextos de des-territorialização promovidos pelo desenvolvimento urbano-industrial nas comunidades rurais estudadas. Este trabalho propôs o diálogo entre as ciências humanas, da saúde e sociais aplicadas, visando a construção de conhecimentos aplicáveis ao Planejamento territorial e à gestão socioambiental nas comunidades afetadas pelas operações ferroviárias e portuárias. Neste percurso adotou-se uma fundamentação teórica transdisciplinar e pautada na complexidade, que vai das críticas ao desenvolvimento urbano-industrial às contradições do desenvolvimento sustentável. Discute-se, portanto, as repercussões Psicossociais diante da perda dos territórios em comunidades rurais submetidas aos modos urbanos e industriais de vida. O recurso metodológico para demonstração desta afetação é a formulação do Indicador Qualitativo de Sofrimento Psicossocial (IQSP). Uma apropriação do protocolo metodológico do IQRM com o seu devido ajuste contextual para abarcar o objeto de estudo desta tese: os impactos psicossociais causados pelos processos de des-territorialização da FIOL e do Porto Sul. A metodologia parte de uma pesquisa documental para, em seguida, estabelecer a vivência no território afetado. Através de uma pesquisa de campo de base qualitativa foi possível evidenciar múltiplos níveis de sofrimento e suas repercussões psicossociais nas comunidades rurais de Aritaguá, Barra de Itaípe, Vila Juerana e Castelo Novo frente aos processos de perda dos seus territórios. Foi possível constatar que estes impactos não foram previstos nem levados em conta no licenciamento ambiental da FIOL e do Porto Sul. Os resultados, ao promover a qualificação e categorização das evidências de sofrimento psicossocial, os riscos de saúde/segurança, ameaças e as consequências psicossociais dos processos de desapropriação estudados, marcam o lugar dos estudos psicossociais no território. Integra-se aqui teoria e prática decorrentes da experiência de mais de uma década de atuação deste autor como consultor junto às principais ferrovias e terminais portuários brasileiros. Uma tentativa de ajudar planejadores territoriais públicos e privados na atenuação das consequências da chegada da ferrovia e do porto, auxiliando na redução e/ou mitigação dos impactos da cadeia logística que se instala em Ilhéus, Sul da Bahia.

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