Crianças em frente às telas: relações entre o seu uso e as funções executivas

Este estudo tem como objetivo analisar as repercussões do uso de mídias digitais no desenvolvimento das funções executivas e no comportamento de crianças na primeira infância. Trata-se de um estudo de casos múltiplos, de abordagem mista e caráter exploratório, realizado com seis binômios de mães e filhos de um a cinco anos de idade, identificados de M01 a M06. A coleta de dados envolveu a aplicação de questionários sociodemográficos, inventários estruturados de funções executivas e questões abertas sobre a rotina e a mediação familiar. Os resultados indicaram que, embora a maioria das participantes conheça as recomendações formais de saúde, a exposição diária às telas é amplamente adotada como ferramenta de suporte para o manejo do tempo doméstico e enfrentamento da sobrecarga materna. O cruzamento dos dados revelou que menores desempenhos em componentes como controle inibitório e flexibilidade cognitiva estão presentes em perfis de baixa supervisão e fragilidade na imposição de limites. No aspecto comportamental e clínico, identificou-se que o uso desregulado foi identificado em crianças com irritabilidade e mimetismo infantil, culminando no relato de M04, que associou a quebra de regras por terceiros à ocorrência de agitação motora, agressividade e episódios de terror noturno na criança. Conclui-se que os impactos das tecnologias não são puramente negativos, mas dependem diretamente da qualidade e consistência da mediação parental exercida. Destacam-se como limitações o tempo reduzido de execução, a amostragem restrita e o recorte de classe média, sugerindo-se investigações futuras com delineamento longitudinal e maior diversidade socioeconômica.

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