Políticas educacionais, direitos humanos e interculturalidade: o caso das Escolas Corânicas na Guiné-Bissau
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UCSal, Universidade Católica do Salvador
A dissertação trata das políticas educacionais, direitos humanos e interculturalidade: caso das escolas corânicas na Guiné-Bissau, e das crianças talibés (alunos, quem quer aprender ou discípulo). Com o recorte temporal de 2004 a 2023. O objetivo geral da pesquisa é identificar e esclarecer como a Guiné-Bissau, apesar de ser uma nação pluriétnica e pluricultural, releva de uma certa colonialidade nas suas políticas educacionais que não permite desenvolver o reconhecimento de culturas plurais através do modelo intercultural e da educação em direitos humanos. Os objetivos específicos: levantar e descrever como vem se constituindo historicamente o sistema educacional na Guiné-Bissau para atender as crianças com exigência de escolarização; apontar quais caminhos para promover a educação intercultural e direitos humanos para evitar a colonialidade; identificar e esclarecer quais as práticas pedagógicas vêm sendo aplicadas no ensino para crianças a partir de escolas corânicas na Guiné-Bissau, e que relação promove o ensino islâmico com as escolas oficiais na Guiné -Bissau; ressaltar as diferentes formas de transmissão de saberes nas escolas corânicas na Guiné-Bissau, e por fim, levantar os indicadores de dificuldades enfrentados pelas crianças/ alunos (talibés) nas escolas corânicas na região da Senegâmbia para desenvolver o processo educacional. O referido trabalho é orientado pela metodologia qualitativa, estudo de caso, análise documental e registros fotográficos que serviram de linha-mestra de todo processo investigativo. O trabalho demonstra que a Guiné-Bissau é uma país marcado por traços do processo histórico da colonização, por emergências, vulnerabilidades, crises prolongadas e conflitos político-militar. Estes acontecimentos impactam diretamente no funcionamento do sistema educativo, principalmente na construção de uma política educacional/curricular pluriétnica, pluricultural e inclusiva, ou seja, intercultural e em direitos humanos, marcada por interrupções e contrações, muitas vezes orientados por países parceiros. A pesquisa mostra que as escolas corânicas na Guiné-Bissau, funcionam como um modelo alternativo ou educação não formal, mas que desempenham uma papel central na educação religiosa e cultural, principalmente nas comunidades muçulmanas, muitas vezes funcionam como substituto das escolas públicas, especialmente nas zonas rurais.
