Trajetória de mulheres do Bom Samaritano: lutas e projetos de vida de mães negras chefes de família da Penísula de Itapagipe/Salvador
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UCSal - Universidade Católica do Salvador
O presente estudo objetivou analisar como as mulheres negras chefes de famílias atendidas pelo projeto Bom Samaritano, conseguem desenvolver estratégias de sobrevivência e projetos de vida. A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma investigação empírica e exploratória inserida no contexto de um estudo qualitativo. Os dados foram obtidos da seguinte forma: foi realizada uma entrevista semiestruturada com as mulheres, levando em consideração sua trajetória de vida e seu contexto familiar, sua assunção da chefia familiar, estratégias de sobrevivência e projetos de vida. Os resultados revelaram que a assunção da chefia feminina, no caso das mulheres entrevistadas, se dá em decorrência do abandono do seu cônjuge, da violência conjugal e da precariedade das políticas: a educação formal é um dos pilares para melhorar a condição de vida da família; o programa de transferência de renda, por si só, não rompe com a extrema pobreza, porém é essencial e oferece suporte emergencial. No que se refere a ser uma mulher negra chefe de família, essa condição é marcada por exaustão e por um processo de degaste, associado à sobrecarga de responsabilidades na manutenção da vida familiar. Mesmo assim, essas mulheres pensam em mudar seu destino, principalmente o de seus filhos. Ao final deste estudo, propõe-se uma reflexão com o presidente nato, os colaboradores e voluntários, com o intuito de compreender melhor essas mulheres e suas dificuldades, a fim de construir um olhar diferenciado, que possa compreender melhor suas dificuldades e auxiliá-las.
