Os tempos do envelhecimento: a percepção da finitude nas relações familiares intergeracionais

A presente dissertação é um estudo de campo que adota uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório, com o objetivo de compreender como a percepção da finitude influencia as dinâmicas das relações familiares intergeracionais no processo de envelhecimento. A investigação foi realizada na cidade de Salvador/BA com oito participantes, sendo quatro pessoas idosas e quatro familiares adultos, pertencentes a dois grupos socioeconômicos distintos. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas e analisados à luz da técnica de análise temática de conteúdo (Bardin, 1977). O estudo se fundamenta em um diálogo interdisciplinar entre Psicologia, Antropologia e Filosofia, discutindo o envelhecer como experiência plural e atravessada por dimensões afetivas, simbólicas e socioculturais. A pesquisa organizou-se em três eixos analíticos: representações do envelhecimento, percepção da finitude e relações intergeracionais. Os resultados indicaram que o envelhecimento é vivenciado de forma ambivalente, articulando maturidade e experiência acumulada com receios relacionados à dependência e à perda de autonomia. Observou-se que as condições socioeconômicas influenciam significativamente a elaboração da velhice e da finitude, especialmente no que se refere às possibilidades concretas de cuidado e manutenção da autonomia. A finitude revelou-se não apenas como evento biológico futuro, mas como presença simbólica que reorganiza prioridades, intensifica vínculos familiares e reforça a transmissão intergeracional de valores. Conclui-se que envelhecimento e morte constituem experiências socialmente situadas e interdependentes, cuja compreensão exige abordagem que integre dimensões biológicas, sociais e existenciais, evidenciando o papel da família como espaço privilegiado de elaboração simbólica da vida e da morte.

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